Espaço de socialização das atividades do componente curricular Estágio Supervisionado em Geografia III, do curso de Licenciatura em Geografia da Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Ciências Humanas Campus IV - Jacobina - BA, semestre 2011.1.

O PROJETO


UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEB
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS –CAMPUS /IV
COLEGIADO DE GEOGRAFIA


 

GABRIEL CARNEIRO REIS

REGIONALIZAÇÃO DO ESPAÇO GEOGRÁFICO MUNDIAL:
A PERSPECTIVA DA SEGREGAÇÃO SOCIOESPACIAL A PARTIR DO ESTABELECIMENTO DE LIMITES E FRONTEIRAS.


 




Jacobina – BA
  2011
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GABRIEL CARNEIRO REIS


 
REGIONALIZAÇÃO DO ESPAÇO GEOGRÁFICO MUNDIAL:
A PERSPECTIVA DA SEGREGAÇÃO SOCIOESPACIAL A PARTIR DO ESTABELECIMENTO DE LIMITES E FRONTEIRAS.

                                                                     
Projeto de estágio solicitado, como avaliação parcial do componente curricular Estágio Supervisionado em Geografia III, do curso de Licenciatura Plena em Geografia do Departamento de Ciências Humanas - Campus/IV, da Universidade do Estado da Bahia - UNEB.
 





                                                      Prof. Marcone Denis do Reis Nunes
                                                           Profª. Dolores Bastos Hayne de Araújo
 

Jacobina – BA
  2011

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SUMÁRIO


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1       INTRODUÇÃO


Este projeto de estágio de tema “Regionalização do espaço geográfico mundial: a perspectiva da segregação socioespacial a partir do estabelecimento de limites e fronteiras” foi desenvolvido a partir da solicitação dos docentes Dolores Bastos Hayne de Oliveira e Marcone Denys dos Reis Nunes, no Componente Curricular Estágio Supervisionado em Geografia III, do curso de licenciatura plena em Geografia da Universidade do Estado da Bahia – UNEB - Campus IV – Jacobina. Será aplicado no formato de regência em sala de aula no semestre 2011.1 pelo discente Gabriel Carneiro Reis, com carga horária de 30 horas/aulas, tendo como público alvo 34 alunos do 8º ano A do ensino fundamental II no turno matutino, da Escola Estadual Frei José da Encarnação.
Fundamenta-se nas categorias de análise espaço e território, com abordagem da Geografia crítica a partir do conceito de formação socioespacial. Nesse sentido, parte da concepção de espaço como palco de produção e reprodução das contradições socioespaciais.
 A partir do contexto da formação do mundo moderno, percebemos que sociedade procurou formas de hierarquizar os territórios a partir da realidade econômica e social, criando territórios marginalizados. Dessa forma, buscando entender as origens dessas classificações do mundo, vamos buscar na dialética socioespacial as respostas das contradições que foram produzidas, a fim de contribuir para a formação de cidadãos críticos e atuantes. 

2       JUSTIFICATIVA


Este projeto que tem como tema Regionalização do espaço geográfico mundial: a perspectiva da segregação socioespacial a partir do estabelecimento de limites e fronteiras” busca contribuir para as discussões de como a segregação socioespacial está presente no cotidiano, por meio dos limites e fronteiras territoriais, econômicas, sociais, culturais, políticas e ideológicas a qual permeiam as relações sociais, estando configurados no espaço geográfico em sua forma concreta ou abstrata e sendo muitas vezes imperceptíveis aos olhos dos indivíduos.
Torna-se relevante à medida que o mesmo tem uma proposta de articulação dialética do ensino-aprendizagem com a realidade histórica do aluno, valorizando esta ao mesmo tempo em que contribui para a produção de novos conhecimentos. Propõe intervir no processo educacional, criando condições que viabilizem aos alunos uma percepção crítica dos fatos que deu origem a formação sócio-histórica da sociedade contemporânea.
Compreendendo que a escola tem papel fundamental na formação cidadã e a Geografia por ser uma ciência que discute as relações humanas no processo de produção e transformação do espaço, é imprescindível que o professor propicie condições para que o aluno compreenda o mundo que esta a sua volta, e o seu papel dentro dele. Para isso, a construção de um projeto é a melhor forma para o desenvolvimento das atividades no processo de regência já que o planejamento dessas atividades dará subsídios para a prática docente.
Nessa ação, é preciso ter em foco a necessidade de executar seu verdadeiro papel que é analisar criticamente os fatos e acontecimentos da sociedade moderna para assim, dessa forma, o educando possa compreender a configuração da organização socioespacial no qual está inserido e agir como um ser atuante no meio em que vive e não apenas ser consumidor de ideologias das classes dominantes que legitimam a segregação socioespacial.
 

3        OBJETO DE PESQUISA


Como a regionalização do espaço geográfico a partir do estabelecimento de limites e fronteiras contribui para a segregação socioespacial?

3.1      QUESTÕES DA PESQUISA


Ø  Qual a origem das regionalizações do espaço geográfico mundial?
Ø  Qual o objetivo da regionalização do espaço geográfico mundial?
Ø  Quais os critérios utilizados para delimitação e estabelecimento de limites e fronteiras regionais?
Ø  Quais os problemas produzidos em decorrência do modelo de regionalização do território brasileiro?

4       OBJETIVOS

4.1      OBJETIVO GERAL


Analisar como a regionalização do espaço geográfico a partir do estabelecimento de limites e fronteiras contribui para a segregação socioespacial.

4.2      OBJETIVOS ESPECÍFICOS


Ø  Identificar os princípios da divisão regional do mundo em Mundo Socialista e Mundo Capitalista, Mundo Desenvolvido e Mundo Subdesenvolvido, Primeiro Mundo e Terceiro Mundo, países do Norte e países do Sul;
Ø  Analisar o sentido da divisão regional do mundo a partir dos limites e fronteiras;
Ø  Identificar a relação entre limites e fronteiras com a segregação socioespacial;
Ø  Estabelecer a ligação entre as contradições socioespaciais no território brasileiro e os limites das regiões do Brasil.
 

5       REFERENCIAL TEÓRICO

Tendo como o propósito construir um marco de referência para o tema proposto, discutiremos os principais conceitos a ele vinculados através das categorias de análise, espaço e território.
            Na concepção da corrente crítica da Geografia o espaço e o lócus das relações sociais de produção.
 A partir das contribuições do materialismo histórico e dialético de Marx, Engles, Hegel e outros pensadores à Geografia crítica o conceito de formação socioespacial ganha força a partir de Lefebvre (1976) apud Castro et al. (1995) ao qual afirma que “o espaço desempenha um papel ou uma função decisiva na estruturação de uma totalidade, de uma lógica, de um sistema”(LEFEBVRE ,1976 apud CASTRO et al. 1995, p.25).
A análise desempenhada pelo materialismo histórico sobre a formação econômica e social, fez com que Santos (1977) em seu artigo intitulado Sociedade e espaço: formação espacial como teoria e como método, incluísse o espaço na análise da totalidade social e desenvolvesse a teoria da formação socioespacial. No seu entendimento, não se pode conceber a formação social sem levar em conta o espaço, por que é nele que se expressa o movimento dos arranjos e das formações espaciais. Sendo assim, “não se pode falar de uma lei separada da evolução das formações espaciais. De fato, é de formações sócio-espaciais que se trata” (Santos, 1977, p.7)
Contribuindo com Santos, Moreira (2007) discute a formação social a partir das instâncias estruturais que articulam os arranjos espaciais dentro da totalidade social. “Uma totalidade social, não é um sistema, é um todo confundido com as partes, sendo cada parte a forma específica como se manifesta o movimento multifacetado do todo” (MOREIRA, 2007, p.75). Também recebeu contribuições de Soja (1993), a partir da análise do espaço-tempo como elementos indissociáveis no processo de formação socioespacial, assim como a sociedade e o espaço. Desse modo, é inconcebível compreender a totalidade social sem analisar sua formação socioespacial.
            Assim, o espaço formado por objetos espaciais, da ordem natural ou humana, todos ele estão inseridos na estrutura da totalidade social que segundo Moreira, (2007) é formada pelas relações de produção e reprodução social, derivada do trabalho social. Portanto as relações de classes estão inseridas nos arranjos espaciais disposto como espaço de “... correlações de forças que confere a hegemonia ao dominante” (SANTOS et al ,2006,p.80).
            Diferentemente do espaço, segundo Raffestin (2003), o território por sua vez surge a partir da apropriação do espaço “(...) o território se apóia no espaço, mas não é o espaço. É uma produção, a partir do espaço. Ora, a produção, por causa de todas as relações que o envolve, se inscreve num campo de poder. Produzir uma representação do espaço, já é uma apropriação (...)” (RAFFESTIN, 1993, p. 144).
Segundo Riceto (2008) a apropriação do espaço e transformação em território, impõe limites e fronteiras. Assim complementa:

“A apropriação do espaço, transformando-o em território, conforme a visão de Raffestin pode ser pensada de diversas formas. Para se ter uma idéia, no meio urbano os territórios são em grande parte delimitados por muros e paredes que parecem fazer aumentar ainda mais o individualismo pregado pelo sistema capitalista” (RICETO, 2008, p.148).

“Atualmente a própria paisagem urbana tem sido alterada em função da delimitação e defesa de territórios. As cercas elétricas, as placas de anúncio da existência de alarmes monitorados, as fachadas protegidas por grades, câmeras, ou os objetos ponteagudos em cima de muros, são apenas alguns exemplos que revelam um pouco dessa defesa e muito das fragilidades do território” (RICETO, 2008, p.148).

            Percebe-se que a metamorfose do espaço para o território proporciona uma forma de proteção, mas também com local insegurança por está em constante ameaça através de suas fronteiras.
Historicamente, a apropriação do espaço pelas classes hegemônicas e mercantilização do mesmo para fins de troca e uso provocou uma relação de subordinação com as classes proletárias. Nesse contexto, a segregação socioespacial é resultado da apropriação do espaço a partir da contradição das relações sociais capitalistas. Dessa forma, por meio desta análise, percebe-se que a segregação é dinâmica e própria do capitalismo, está presente no tempo e no espaço, e é consequência da formação socioespacial do mundo moderno.
No processo de regionalização do mundo, a lógica das relações hegemônicas prevaleceu. As denominações de classificação socioeconômica (países do Norte e países do Sul, países desenvolvidos e países subdesenvolvidos e países de 1º mundo e países de 3º mundo) criadas para diferenciar os países colonizados dos colonizadores representam uma forma de segregação socioespacial que se mantém até hoje. Esse tipo de segregação é produto histórico da dominação territorial e exploração das riquezas pelos europeus sobre a América, Ásia e África entre os séculos XVI e XX.
Hoje, com o advento da globalização e expansão das relações sociais capitalistas esse quadro se agravou ainda mais. As barreiras deixaram de ser somente geográficas, e passam a ser acima de tudo sociais. As restrições de acesso ao consumo, originados das contradições das relações de trabalho, e aos serviços básicos negligenciados pelo Estado, favorecem a manutenção das mazelas sociais das classes economicamente inferiores, e ampliam as barreiras divisora de classes.

6       METODOLOGIA

6.1      PROCEDIMENTOS


Para a concretização dos objetivos propostos neste projeto serão desenvolvidas atividades visando socializar os conhecimentos adquiridos no âmbito da universidade e aqueles pertencentes aos alunos de forma prática e organizada através de exposição oral, debates e discussões em grupos, pesquisa bibliográfica, produção textual, leituras e apresentação. Tudo isto, para estimular a linguagem escrita, oral e o desenvolvimento crítico social dos alunos. Já que a metodologia do ensino esta ligada aos objetivos que se pretende alcançar em sala de aula.  
Ao elaborarmos uma metodologia, é necessário considerarmos também os sujeitos a quem estamos direcionando o trabalho, a realidade socioespacial dos alunos e da instituição de ensino.
Para ensinar Geografia, existem várias metodologias, mas a escolha de uma dessas depende dos pressupostos adotados na instituição de ensino e na prática do educador, não existindo uma metodologia padrão, mas sim uma construção individual, segundo as concepções de cada indivíduo, e que devem ser sempre reavaliadas e modificadas pelas necessidades que emergem durante o processo educativo.
A metodologia a ser desenvolvida neste trabalho com a turma do 8º ano A matutino, do Ensino Fundamental II consiste em aulas expositivas auxiliadas por diversos recursos didáticos disponíveis, subsidiado por técnicas capazes de tornar as aulas atrativas, participativas e dinâmicas.
De acordo com Silva (2004, p.39) “não existe uma metodologia para ensinar Geografia, mas sim várias metodologias definidas, a partir dos vários pressupostos dos educadores e demais envolvidos no projeto político pedagógico da cada escola.” E nesta perspectiva buscarei trabalhar de modo crítico os conteúdos selecionados visando uma construção do saberes que permitam uma emancipação por parte dos educandos, através de um ensino-aprendizagem que proporcione reflexão e independência, a fim que os alunos possam perceber-se enquanto seres constituintes da história, atores sociais transformadores da realidade já que esta é uma construção do próprio sujeito.
 

6.2      AVALIAÇÃO


            A avaliação constitui-se como sendo um momento de fundamental importância no processo ensino-aprendizagem, devendo esta servir de base para que o docente analise o rendimento dos alunos, assim como sua prática frente à educação, podendo intervir através de técnicas e instrumentos de intervenção didática visando sanar as lacunas detectadas.
            Partindo do pressuposto que o processo de ensino aprendizagem é contínuo, entendemos que a avaliação também deve seguir este padrão, pois a mesma deve está presente em todas as etapas dos processos educativos, ao qual cabe ao professor selecionar os métodos, instrumentos e critérios que possibilitem o procedimento avaliativo contemplarem as diferenças cognitivas dos alunos.
E tendo como objetivo realizar uma avaliação integrada, adequada com os propósitos metodológicos adotados no desenvolvimento deste projeto, serão utilizadas diversas atividades que atendam a diversidade social, dentre elas podemos destacar a realização de produções textuais, atividades escrita, interpretação de música, de textos, de charges, leitura e interpretação de mapas, teste, prova além do envolvimento em todo o processo por meio de participação, análise, reflexão e apreensão dos conteúdos.


         7    REFERÊNCIAS

Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: geografia. Brasília: MEC/ SEF, 1998. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/geografia.pdf> Acessado em: 22 jul.2011.
 
CASTRO, Iná Elias de; GOMES, Paulo Cesar da Costa; CORRÊA, Roberto Lobato. . Geografia: conceitos e temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995.
 
MOREIRA, Ruy. A Geografia serve para desvendar máscaras sociais in: MOREIRA, Ruy. Pensar e ser em geografia: ensaios de historia, epistemologia e ontologia do espaço geográfico. São Paulo: Contexto. 2007. 
 
RAFFESTIN, Claude. Por uma Geografia do poder. Tradução: Maria Cecília França., São Paulo: Ática, 1993.

 
RICETO, Alisson. Uberlândia: Caminhos de Geografia, V.9, nº. 28, dez.2008.p.146-152. Disponivel em: <http://www.seer.ufu.br/index.php/caminhosdegeografia/article/view/10588/6303> Acessado em: 22 jul. 2011.


SANTOS, Milton. Sociedade e Espaço: a formação social como teoria e como método. 1977. Disponível em: <http://www.arq.ufsc.br/urbanismo5/artigos/artigos_sm02.pdf> Acessado em: 22 jul. 2011.

 
SANTOS, Milton et al (orgs.). Território, Territórios. Brasil: DP&A, 2006.

 
SILVA, Onildo Araujo da. Geografia: metodologia e técnicas de ensino. Feira de Santana: Universidade Estadual de Feira de Santana, 2004.

SOJA, Edward W. . Geografias pós-modernas: a reafirmação do espaço na teoria social crítica. Rio de Janeiro: Zahar, 1993.